Tutela dos Menores. A criança no centro do Magistério da Igreja.

Prossegue no Vaticano o seminário online sobre a Proteção dos Menores. O encontro de ontem (08/06) tinha como tema “A teologia da criança”, comentários de Ernesto Caffo, membro da Pontifícia Comissão

Na segunda-feira (08/06) foi realizado o primeiro webinar organizado pela Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. O encontro foi moderado pela irmã Nuala Kenny, das Irmãs da Caridade de Halifax e tinha como tema a Teologia da infância. 


O seminário online contou com a participação de quase 800 pessoas de todo o mundo marcado pela epidemia do coronavírus, que obrigou a percorrer caminhos digitais para continuar a luta pela proteção da infância. Irmã Nuala concluiu sua participação dizendo: “Na Igreja de Jesus devemos oferecer o que teria oferecido aos seus filhos”.


Entrevistamos Ernesto Caffo, membro da Pontifícia Comissão pela Tutela dos Menores sobre os temas tratados no primeiro encontro:


Ernesto Caffo: Devo dizer que o webinar foi muito bom porque nasceu do desejo de construir uma análise profunda sobre questões que são muito sentidas neste momento de mudanças causadas pelo coronavírus em todas as partes do mundo. Como foi oferecida a tradução em 4 línguas, havia pessoas conectadas da América do Sul à África, de áreas muito remotas ao mundo asiático. Discutimos sobre o tema comum de uma teologia da infância. Este foi o primeiro momento sobre esta reflexão e tentamos encontrar pontos de convergência, com a criança e sua proteção no centro das atenções. Surgiu, portanto, uma série de aspectos da vida eclesial, do Evangelho, da infância, que devem ser considerados como elementos chave, centrais e valiosos, que assumem tanto na vida educativa como na vida familiar. E o aspecto de dar à criança um papel central obviamente também leva a considerar seus direitos e os elementos de proteção que devem existir em torno de pessoas frágeis. Isso significa ouvir a criança, suas necessidades, construir defesas e salvaguardar o seu redor, a fim de evitar todas as formas de exploração e abuso. Aspectos sobre os quais temos tentado refletir há muito tempo como Comissão Pontifícia também buscando respostas concretas, indicações sobre como podem ser enfrentados estes aspectos. Há necessidade de uma reflexão sobre o mérito, para entender como melhorar a escuta e o cuidado da criança. Ter a criança no centro é o sentido da conferência que se realizou e que inicia este tipo de caminho.


Esta é uma exortação para colocar a criança no centro do Magistério da Igreja?


Ernesto Caffo: Certamente sim, também a partir das palavras do Santo Padre que sempre colocou a atenção, como seus predecessores, à criança que tem sua própria vida, um papel na sociedade, que é um sujeito a ser escutado e ajudado pelos pais e educadores, pela comunidade como um todo. Não podemos jamais pensar nisso como um objeto, muito menos como um objeto de violência. Este é o elemento que nos leva a prestar muita atenção à formação de educadores, uma grande atenção à prevenção e uma grande atenção ao processo de crescimento de uma criança que se torna adolescente. Pensar nas crianças com todos os problemas que isso possa acarretar, as dificuldades, os desconfortos e, obviamente, ainda mais para as crianças mais frágeis do que para as outras que são crianças com deficiência, ou que têm situações familiares fortemente críticas. Isso significa encontrar na comunidade respostas adequadas às necessidades, sem esperar que isso aconteça só porque é imposto por lei ou por instrumentos formais.


O Papa Francisco disse que o pior que pode acontecer, nesta época de pandemia, é desperdiçar a oportunidade que nos é dada. Como isso pode ser traduzido no trabalho da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores?


Ernesto Caffo: Por um lado, o Santo Padre confirmou a Comissão até 2022, compreendendo a necessidade de abordar esta questão da pós-pandemia tentando encontrar novos caminhos e percursos como os que estamos fazendo online, pois a formação será fundamental para enfrentar os novos desafios. Daí a importância de fazer agora um plano que leve as crianças ao centro de uma sociedade em transformação. Em todo o mundo será necessário encontrar diferentes expressões de educação, apoio, e contraste com fenômenos que podem ver as crianças como vítimas do tráfico de seres humanos e exploração no mundo digital. Creio que chegou o momento de nos encontrarmos também com a solidariedade que nasceu nos últimos meses. Tomamos consciência de nossa fragilidade e por isso é importante nos colocarmos novamente em jogo. Acredito que juntos devemos redescobrir o sentido de comunidade e também ter esperança quanto ao futuro a ser transmitido às novas gerações; dar fé e esperança aos pequenos.



 
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