Iêmen: guerra e pandemia ameaçam a vida das comunidades cristãs

Apesar da guerra e crises na região da Península Árabe Dom Paul Hilder acredita que “hoje há mais interesse em saber o que o outro pensa e no que ele acredita”. O Vigário Apostólico fala sobre a dramática diminuição da presença de cristãos na região

Reiniciaram as negociações entre as partes em guerra no Iêmen. Delegados do governo reconhecido internacionalmente apoiados pela Arábia Saudita reuniram-se com os rebeldes de Houti apoiados pelo Irã em Genebra. A própria ONU alertou sobre o perigo da fome no país nos últimos dias, também devido aos compromissos não cumpridos, especialmente por alguns Estados árabes, em relação à ajuda humanitária. Faltam 3,4 bilhões de dólares e embora o Kuwait tenha doado 20 milhões de dólares nos últimos dias, a situação continua crítica também por causa do coronavírus.



O drama de um país

"O país sofre dramaticamente pela guerra civil e pela interferência externa, que levam à fome e doenças. Viver nesta situação é muito difícil para todos os iemenitas", afirmou Dom Paul Hinder, Vigário Apostólico do Sul da Arábia e Administrador Apostólico do Norte da Arábia, ao Vaticano News. “Há momentos de trégua", pondera, "as negociações continuam e não sabemos exatamente como terminarão internacionalmente, mas o segredo de uma paz sustentável está dentro do país, do acordo entre as partes em conflito".


Diminuem os cristãos


Desde 2014 a guerra no Iêmen já causou mais de 112.000 mortes, mas toda a população da Península Arábica está sofrendo os efeitos, incluindo os econômicos, pela pandemia do coronavírus. Em particular, a atenção de Dom Hinder se volta para as dificuldades da pequena minoria cristã. "A situação da Covid-19 tem consequências que ainda não vemos, mas é claro que o número de cristãos, diminuirá no futuro, porque a situação econômica terá consequências", afirma ele. "Muitas pessoas perderam seus empregos e a situação não vai melhorar. Isto significa que deixarão o país causando graves consequências para a comunidade cristã. Há algumas pequenas atividades que não têm pessoas qualificadas para trabalhar. Tudo mudou para nós”.


Os efeitos da Covid-19 nas comunidades


Uma mudança que também diz respeito ao modo de viver a fé. "A vida litúrgica dos fiéis das comunidades foi praticamente interrompida nos últimos meses", acrescenta ele. "Não foram celebradas missas públicas. Nós nos ajudamos por meios eletrônicos, mas é claro que somos uma Igreja sacramental, onde o contato físico é necessário, a \'matéria\' é necessária, desde o batismo até a unção dos enfermos".


Agora tudo mudou. Estamos recomeçando lentamente com a cautela necessária, mas não é fácil. Ainda não podemos ter igrejas lotadas como tínhamos antes”. Um contexto difícil, com regras que diferem de país para país, também por causa da liberdade de deslocamento e a consequente dificuldade em alcançar as comunidades dos fiéis. "A situação na Arábia Saudita não é a dos Emirados Unidos", explica Dom Hinder. "Mesmo dentro dos Emirados Unidos, existem diferenças entre um emirado e outro e, por exemplo, em um determinado momento não era mais possível viajar livremente entre Dubai e Abu Dhabi. Eu mesmo, como bispo, também não pude viajar e ainda não pude ver as comunidades cristãs no Bahrein Kuwait e no Qatar. Espero que em dois meses a situação melhore".


O diálogo durante a pandemia


Foi em Abu Dhabi, em fevereiro de 2019, que o Papa Francisco assinou o documento sobre a Fraternidade Humana com o Imã de Al-Azhar Ahmad Al-Tayyeb. Um ponto de partida para o desenvolvimento do diálogo inter-religioso que, em seus efeitos práticos, foi um pouco deixado de lado devido à pandemia.


A Covid-19, continua Dom Hilder, "colocou um freio em todo o processo, apesar de ter havido reuniões virtuais inter-religiosas. Refiro-me à realização de um Centro, 'Casa da Família Abraâmica' em Abu Dhabi, que foi prometido como um presente por ocasião da visita do Papa, mas que ainda não ainda não foi concluída. 


Acho que não ficará pronta antes de 2022. Deveria ser um ponto de encontro inter-religioso para todos os que querem se conhecer: hoje há mais interesse em saber o que o outro pensa e no que ele acredita. Há uma certa aproximação”.

 
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