“Reconhecer a contribuição que o povo negro trouxe para o Brasil”, diz a coordenadora do movimento Aratrama.

A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado por arma de fogo no Brasil. Um total de 63 mortes por dia, resultando em 23 mil vidas negras ceifadas por ano, em decorrência da violência letal.

O assassinato do afro-americano George Floyd, em Minneapolis (EUA), em 25 de maio passado, desencadeou protestos em várias partes do mundo contra o racismo e a violência policial.


A versão brasileira do Black Lives Matter, Vidas Negras Importam, chama a atenção de uma sociedade que banaliza a morte de jovens negros nas favelas e periferias. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado por arma de fogo no Brasil. Um total de 63 mortes por dia, resultando em 23 mil vidas negras ceifadas por ano, em decorrência da violência letal.


Considerando essa realidade foi realizado, em Manaus, no último dia 7, o “Ato Vidas Negras e Indígenas Importam!” a fim de denunciar as violências sofridas também pelos indígenas e pelos povos tradicionais do Estado do Amazonas que sofrem inclusive por causa da intolerância religiosa.

Sobre o problema do racismo, nós conversamos com a coordenadora do movimento Aratrama, Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana, Raimunda Nonata Correa, uma das fundadoras do Fórum de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas.


A Pastoral Afro-Brasileira da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pronunciou-se também, através de uma nota, sobre as manifestações contra o racismo realizadas nos Estados Unidos, Brasil e demais países. É um clamor que brota de diferentes vozes, afirmando que “vidas negras importam sim”, e não podem ser exterminadas de forma brutal e covarde pelas forças policiais.


De acordo com o texto da Pastoral Afro-Brasileira, “não é possível calar diante dos processos históricos de banalização e destruição das vidas dos negros e negras. Esta realidade nefasta, originada na escravidão, ainda pesa sobre o povo negro e se manifesta de diferentes formas na sociedade. É um verdadeiro holocausto, justificado pelo odioso racismo que matou e continua exterminando negros e negras”.


Em relação aos desafios enfrentados pelos afrodescendentes na Amazônia, Raimunda Notata Correa diz que é preciso “trazer para o povo amazonense o bem-estar de ser povo preto, de mostrar para as crianças na área da educação, o orgulho de ser negro”. Segundo ela, “a grande contribuição da Igreja, do Vaticano, é começar a tratar esse tema com maior seriedade, com maior respeito e maior diálogo com os povos que foram colonizados nessa nação” e “fazer campanhas massivas na evangelização em respeito à identidade religiosa do povo preto”.

 
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