UMA VIDA SEM REMENDOS.

“Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2Cor 5, 17b)


Roupa Velha e Velhos Odres Jesus não trouxe para Seu povo um remendo ou uma reforma nas velhas tradições e práticas judaicas que os doutores da Lei, os fariseus e os escribas, julgavam ser suficientes. Eles concebiam o judaísmo como uma religião centrada na observância da Lei e no cumprimento rígido das obrigações da Lei. Não consideravam que o amor deveria permear o cumprimento da Lei e que todos os atos externos deveriam antes nascer de um coração puro, humilde e generoso, rendido a Deus. A boa nova de Jesus provocara uma mudança radical no pensamento dominante da época, uma vez que “religião”, segundo Jesus, deveria ser a manifestação do amor nascido de um coração ligado a Deus revelando a glória do Senhor, e isso excedia em muito aos padrões judaicos. Ensinou Jesus ao fariseu Nicodemos: “quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). Viver esta novidade do Reino de Deus não consistia em pôr remendo nas velhas tradições recheadas de intransigências como guardar o sábado em detrimento da salvação e cura de um doente (Lc 14,1); ou o mofo entranhado do orgulho cego de não considerar-se necessitado da misericórdia divina para a salvação, tão somente por ser filho de Abraão (Jo 8, 31-39); e, nem tão pouco nos julgamentos extremos quanto ao cisco do olho do irmão sem enxergar a trave em seus próprios olhos (Mt 7,5). Velhas estruturas, velhas roupas, velhos odres usados durante séculos de hábitos repetidos mecanicamente como a fazer um favor a Deus tiranizando os pecadores pegos em flagrante (Jo 8, 1-11).

Remendo Novo e Novos Odres Na Palestina era comum guardar o vinho em odres. Eles eram feitos de pele de animal e costurados, portanto eram de couro e armazenavam entre três a cinco litros de água, leite ou vinho. Quando esses odres eram novos possuíam certa elasticidade, mas à medida que iam envelhecendo ficavam endurecidos e perdiam a elasticidade. Porém, o vinho novo que ainda está em processo de fermentação libera gases que aumentam a pressão, e, se o coro é novo, cederá à pressão, mas se é velho e sem elasticidade, provavelmente se romperá e se perderá tanto o vinho como o odre. O vinho novo do cristianismo não podia ser acondicionado nos odres velhos do judaísmo, como também hoje não tem lugar para ser armazenado em velhos corações que vivem uma tradição estéril, inflexível e endurecida pelo tempo ou uma espiritualidade de fachada cumprindo ritos somente.

O vinho novo deve nascer no lagar (lugar onde as uvas eram pisadas) do nosso coração onde o Espírito Santo deve amassar o nosso orgulho e até fazer surgir a seiva da vida nova

anunciada pelo Mestre da Galileia, nela não há lugar para os odres ressecados que guardam hábitos decantados na religiosidade do velho vinho.


A solução também não estaria em colocar uns remendos aqui e outro ali porque uma roupa remendada nunca será uma roupa nova; nem tão pouco o cristianismo é uma colcha de retalhos, mas uma roupa de linho finíssimo, alvejada no sangue do Cordeiro.

Nossa vida cristã não pode ser uma mistura do velho homem maquiado de cara nova, mas sim o homem nascido de novo, completamente novo, nascido do Espírito de Deus e de Sua Palavra santificadora e libertadora. Enquanto o judaísmo legalista escravizava e oprimia, o Evangelho trazia vida, salvação e luz a todo aquele que nele crer. Para vinho novo, odres novos!


Jacira Mourão - Irmã em Aliança da Comunidade Divino Oleiro

 
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