Papa: para sair da pandemia, é preciso cuidar uns dos outros e da natureza.

Papa Francisco defendeu hoje o cuidado das pessoas e da natureza para que possamos superar a pandemia do coronavírus e construir um futuro melhor.

Em sua catequese semanal com os peregrinos no Pátio São Dâmaso, o Papa enfocou dois pontos.

PARA SAIR DE UMA PANDEMIA, É PRECISO CUIDAR-SE E CUIDAR UNS DOS OUTROS

Segundo o Papa Francisco, para sair de uma pandemia, é preciso cuidar-se e cuidar uns dos outros.

E devemos apoiar aqueles que cuidam dos mais débeis, dos doentes e dos idosos. Há o hábito de deixar os idosos de lado, de os abandonar: isso é mau. Estas pessoas – bem definidas pelo termo espanhol “cuidadores”, aqueles que cuidam dos doentes – desempenham um papel essencial na sociedade atual, mesmo que muitas vezes não recebam o reconhecimento nem a remuneração que merecem. Cuidar é uma regra de ouro da nossa condição humana, e traz consigo saúde e esperança. Cuidar dos doentes, dos necessitados, dos abandonados: esta é uma riqueza humana e também cristã.


DEVEMOS DE IGUAL MODO DIRIGIR ESTE CUIDADO À NOSSA CASA COMUM

O Papa Francisco explicou que devemos de igual modo dirigir este cuidado à nossa casa comum: à terra e a cada criatura.

Todas as formas de vida estão interligadas, e a nossa saúde depende da saúde dos ecossistemas que Deus criou e dos quais Ele nos encarregou de cuidar. Por outro lado, abusar deles é um pecado grave que prejudica, que é prejudicial e que nos deixa doentes.

O Papa afirmou que o melhor antídoto contra este mau uso da nossa casa comum é a contemplação.

Sem contemplação, é fácil cair num antropocentrismo desequilibrado e soberbo, o “Eu” no centro de tudo, que sobredimensiona o nosso papel como seres humanos, posicionando-nos como dominadores absolutos de todas as outras criaturas.

Exploração da criação: este é o pecado. Julgamos que estamos no centro, pretendendo ocupar o lugar de Deus e assim arruinamos a harmonia da criação, a harmonia do desígnio de Deus.

Tornamo-nos predadores, esquecendo a nossa vocação como guardiões da vida. Certamente, podemos e devemos trabalhar a terra para viver e nos desenvolver. Mas trabalho não é sinônimo de exploração, e está sempre acompanhado de cuidado: lavrar e proteger, trabalhar e cuidar. Esta é a nossa missão.


O Papa Francisco explicou que recuperar a dimensão contemplativa implica olhar para a terra, para criação como um dom, e não como algo a ser explorado para fins lucrativos.

Quando contemplamos, descobrimos nos outros e na natureza algo muito maior do que a sua utilidade. Eis o cerne do problema: contemplar é ir além da utilidade de uma coisa. Contemplar a beleza não significa explorá-la: contemplar é gratuidade. Descobrimos o valor intrínseco das coisas que lhes foi dado por Deus.

O Papa fez ainda uma advertência:

E há uma coisa que não devemos esquecer: quem não sabe contemplar a natureza e a criação, não sabe contemplar as pessoas na sua riqueza. E quem vive para explorar a natureza, acaba por explorar as pessoas e tratá-las como escravas. Esta é uma lei universal: se não se sabe contemplar a natureza, será muito difícil saber contemplar as pessoas, a beleza das pessoas, o irmão, a irmã.

Por fim – disse o Papa –, “contemplar e cuidar: estas são duas atitudes que mostram o caminho para corrigir e reequilibrar a nossa relação como seres humanos com a criação”.

 
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