O mundo é dos humildes: Tenha coragem de ser vulnerável.

O fato é que a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos diariamente não são opcionais; portanto, para que consigamos nos manter íntegros e autênticos, o grito da coragem de ser vulnerável precisará ecoar mais alto.

“Quando sou fraco, então é que sou forte” (II Cor. 12,10).  À luz dessa frase de São Paulo à comunidade de Corinto, desejo desenvolver uma reflexão quanto a aceitação dos nossos limites e fraquezas na perspectiva de deixar Deus, o único que de fato é forte e poderoso, realizar em nós a sua obra. Num mundo onde somos levados a pensar que os fortes dominam, deixemo-nos nos contrariar pela via da vulnerabilidade e da pequenez.

Ser perfeito é uma condição perseguida por muitos, mas irreal. O perfeccionismo é, em geral, um movimento de defesa que nasce no ego, uma tentativa de obter aprovação, um jeito de tentar corresponder às expectativas dos outros, uma forma de tentar evitar a vergonha, enfim, um muro que, em vez de nos proteger, nos impede de sermos vistos como realmente somos, afastando de nós a possibilidade de nos mostramos como pessoas autênticas.

Nesse mundo rápido, digital, exponencial, ágil e em constante transformação, em que o aprendizado não acontece apenas pela aquisição de conhecimento, mas pela ousadia em experimentar, de “errar rápido para aprender rápido”, é um tanto utópico pensar em perfeição.

Vulnerabilidade é um ato de coragem

É por isso que, ao contrário do que muitos pensam, vulnerabilidade está bem longe de ser uma demonstração de fraqueza e fragilidade; vulnerabilidade é um ato de coragem; coragem para assumir que somos imperfeitos; coragem para acreditar que estamos numa jornada de crescimento e desenvolvimento, e que tanto o erro como o acerto fazem parte desse caminho; coragem de reconhecer que, por melhor que possamos ser, ainda existem muitas oportunidades de melhoria em nossas vidas; coragem de dizer “eu não sei”; coragem para ajudar e pedir ajuda; coragem para tentar algo novo, conscientes de que cometeremos alguns erros no meio do percurso; coragem para reconhecer nossos erros e buscar consertá-los da melhor maneira possível; coragem para tirar a armadura e sermos nós mesmos, de sermos autênticos, de nos mostrar sem máscaras, permitindo que as pessoas à nossa volta saibam verdadeiramente com quem estão se relacionando; coragem!

O fato é que a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos diariamente não são opcionais; portanto, para que consigamos nos manter íntegros e autênticos, o grito da coragem de ser vulnerável precisará ecoar mais alto. Porque, assim como a luz brilha mais forte no escuro, a coragem não existe no vazio: ela é uma resposta a situações desafiadoras. Vulnerabilidade não é uma questão de ganhar ou perder, de ser bom ou ruim, de ser grande ou pequeno, mas de reconhecer que tudo isso faz parte da vida. E ao abrir espaço para que a vulnerabilidade faça parte da nossa vida, permitimo-nos envolver e nos entregar por inteiro à busca de um nível de equilíbrio que permita nos adaptar às demandas do cotidiano, e que também nos liberte para viver de maneira autêntica.

“Estamos em obra para melhor servi-lo”

É por isso que aquele aviso de “Desculpe, estamos em obra para melhor servi-lo” que geralmente vemos em shoppings, lojas e estradas poderia facilmente fazer parte dos dizeres das nossas camisetas, porque é assim que somos: seres humanos únicos e especiais, com conhecimentos, habilidades, dons e talentos maravilhosos, mas inacabados, incompletos e imperfeitos, buscando melhorar um pouco a cada dia, para que possamos utilizar aquilo que temos para construir um mundo melhor para todos.

Estamos vivendo um tempo nunca imaginado por esta geração, experimentando situações completamente inusitadas e desconhecidas, e tendo que tomar importantes decisões sem saber exatamente o que fazer. Um tempo em que o medo e a insegurança tendem a aparecer com maior força e, por isso, mais do que nunca, um tempo em que a coragem de ser vulnerável, de reconhecer que não temos todas as respostas, que não sabemos exatamente o que fazer (porque nunca passamos por isso antes), e que precisamos uns dos outros para superar essa situação. Portanto, mais do que nunca, precisamos fortalecer a empatia, a vulnerabilidade e a cooperação em nosso cotidiano pessoal e profissional.

Empatia para que líderes se coloquem no lugar de suas equipes e percebam que as pessoas estão passando por um momento de medo e insegurança, e precisam de cuidado, atenção e transparência, assim como empatia por parte das equipes para que se vejam no lugar de seus líderes que talvez não saibam exatamente o que fazer e, por isso, precisam de sua ajuda. Vulnerabilidade para que todos nós reconheçamos que ainda não temos as respostas, e que somente as conseguiremos quando trabalharmos juntos por meio da cooperação, porque juntos somos mais fortes.

O mundo é dos humildes

E nem seria necessário dizer que, como líder, você deveria ser o primeiro a trazer estes ingredientes para o ambiente de trabalho por meio do seu exemplo, lembrando que não existem líderes perfeitos, mas tampouco existem líderes que não estejam em aperfeiçoamento, portanto, mãos à obra! Que o Senhor nos ensine a cultivar uma postura humilde e nos faça aceitar nossos limites e com eles está de bem com a vida.

Concluo essa reflexão com uma frase que ouvi de um irmão de Comunidade há alguns anos atrás, quando falávamos de alguns acontecimentos que nos impactavam na época. Ele me dizia: Vanilton, o mundo é dos humildes. Lembre-se sempre disso, o mundo é dos humildes, dos pequenos, dos pobres e dos vulneráveis. São eles o nosso ponto de equilíbrio nessa terra que atraem o olhar do Senhor sempre.





 
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