Guadalupe: Carriquiry, evangelização dos povos latino-americanos

“Ela não é a Virgem dos conquistadores, não é uma deusa indígena. Essa linda senhora mestiça apresentou-se com todos os símbolos da cosmogonia indígena, mulher grávida que doou seu filho, o Redentor, aos povos”, disse Carriquiry.

O Papa Francisco celebrará a missa, nesta quarta-feira (12/12), na Basílica de São Pedro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

A Rádio Vaticano/Vatican News transmitirá a cerimônia ao vivo, com comentários em português, a partir das 14h55h no horário de Brasília.

Antes da missa, haverá a oração do Terço que terminará com o canto do hino da Jornada Mundial da Juventude que se realizará no Panamá, em janeiro próximo.

Olhando nos olhos da imagem da Virgem Morena em sua viagem apostólica ao México, em 2016, o Papa Francisco não escondeu a intensidade de sua devoção: “Primeiramente, ela nos ensina que a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus.”

Aparições

Nossa Senhora de Guadalupe apareceu ao índio Juan Diego Cuauhtlatoazin, um dos primeiros astecas a se converter ao cristianismo, entre 9 e 12 de dezembro de 1531, na colina de Tepeyac, a noroeste de Cidade do México. No manto que o índio usou para recolher as flores, que a Virgem fez surgir fora de época, apareceu milagrosamente a imagem de Maria.


Não se erra ao dizer que as aparições desempenharam um papel “pedagógico”. “Pois bem. Foram a primeira evangelização dos povos latino-americanos. Podemos dizer mais: a Virgem de Guadalupe é a pedagoga de uma evangelização que se enxertou perfeitamente na cultura local”, disse o vice-presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), Guzmán Carriquiry Lecour. Na década sucessiva às aparições mais de 8 milhões de índios pediram para serem batizados. Um milagre no milagre.  

Virgem dos povos indígenas

A natureza extraordinária do evento também reside no fato de que a Virgem Morena quis caracterizar-se como a virgem dos povos indígenas. “Ela não é a Virgem dos conquistadores, não é uma deusa indígena. Essa linda senhora mestiça apresentou-se com todos os símbolos da cosmogonia indígena, mulher grávida que doou seu filho, o Redentor, aos povos”, disse ainda Guzmán Carriquiry. “Abraçou os nossos povos, escolhendo como mensageiro um pobre índio”.

Difusão mundial da devoção

A devoção à Virgem de Guadalupe iniciou em Cidade do México, espalhou-se rapidamente por toda a América Latina e depois de quase 500 anos incendiou o mundo. Em todos os cantos da terra as pessoas se dirigem com confiança à Virgem Morena. João Paulo II proclamou Juan Diego santo em 2002.

“No mundo, as dioceses, paróquias, igrejas e capelas dedicadas à Virgem de Guadalupe não podem ser contadas, pois são numerosas. Ela é certamente a padroeira da América Latina e imperatriz de todo o continente americano, mas estende seu manto sobre o mundo inteiro”, concluiu Guzmán Carriquiry.

 
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