Frei Patrício Sciadini: A santidade verdadeira é servir aos outros.

Quem ama está convencido de que a sua missão não é dominar, mas servir. Quando Deus, que é amor, não habita nosso coração, buscamos os primeiros lugares, os pedestais, para sermos o centro de tudo e de todos. Desse modo, acabamos por ser estátuas no meio das praças, para que todos vejam que estamos ali, isso para sermos incensados, respeitados e que, diante de nós, todos devem se ajoelhar.

Mas não é assim com quem quer imitar Jesus, que veio “não para ser servido, mas para servir”. Ele que não se envergonhou de assumir a nossa realidade humana, fazendo-se um de nós e ajoelhando-se diante de nós para lavar-nos os pés.

Ele, antes de exigir amor, dá amor.

Estamos no período pós-pascal e sentimos a presença viva de Jesus Ressuscitado que não nos abandona, para estar para sempre à direita do Pai, mas que permanece conosco, para nos educar a viver com um novo estilo de vida, no qual todos temos necessidade de Deus e dos outros.

A diaconia, como serviço presente em toda a Sagrada Escritura, se torna o caminho da Igreja, que decide se colocar a serviço do anúncio do Evangelho e no serviço da caridade.

Nos libertar da autorreferencialidade

É quase que inevitável, se não somos iluminados pela graça de Deus e pelo exemplo de Jesus, cair no pecado de crer-se insubstituível, achando que, sem nós, nada acontece, e que tudo vai bem conosco e vai mal sem nós.

É um pecado eclesial de quem se deixa dominar pela “referencialidade”. É muito fácil falar de serviço, de disponibilidade, de cooperação e de sinodalidade, mas a santidade não está nos dicionários e nas palavras, mas na vivência do Evangelho.

Jesus, por três anos vivendo no nosso meio, nos deu exemplo, tentou mudar a cabeça fechada e egoísta dos Seus discípulos, que apenas depois da Ressurreição vão compreender o que significa ser discípulo de Jesus, que é servir e dar a vida até o fim.

Precisamos saber compartilhar as responsabilidades. Ninguém é tão pobre e sem qualidade que não pode servir, e ninguém é tão rico que não tenha nada a receber dos outros.

O exemplo mais belo de mútua ajuda quem me deu foi a minha mãe, Domenica, em um momento em que eu queria fazer tudo sozinho. Ela disse: “uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto. Se só um olho fosse suficiente, Deus não teria feito o homem com dois, nem com duas mãos nem com dois pés”. Ela acrescentava, dizendo: “E te deu só uma língua, para se queixar menos e falar menos.”

Devemos ser servos, ser diáconos. Todos servimos. Evitemos deixar de servir.

Servir a Deus e aos outros: eis a santidade 

“Esta missão tem o seu sentido pleno em Cristo e só se compreende a partir Dele. No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele.

Mas pode também envolver a reprodução na própria existência de diferentes aspetos da vida terrena de Jesus: a vida oculta, a vida comunitária, a proximidade aos últimos, a pobreza e outras manifestações da sua doação por amor.

A contemplação destes mistérios, como propunha Santo Inácio de Loyola, leva-nos a encarná-los nas nossas opções e atitudes. Porque ‘tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério’, ‘toda a vida de Cristo é revelação do Pai’, ‘toda a vida de Cristo é mistério de redenção’, ‘toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação’, e ‘tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver Nele e Ele vivê-lo em nós’.” (Gaudete et Exsultate, 20)

O Papa Francisco insiste na nossa missão que é colocar no centro da nossa vida Jesus que não quer fazer tudo sozinho, mas nos chama a cooperar com ele a transformar o mundo.

Somente na medida que o cristão se compromete a viver o amor nas duas direções, de Deus e dos outros, é possível ter no futuro uma vida de alta qualidade.

É um erro pensar que a vida de qualidade é ter dinheiro no bolso, a geladeira cheia e o poder, de forma a cair no consumismo mais desenfreado, que nos permite ter tudo.

Há, no entanto, algo que não é possível comprar: a felicidade que está escondida dentro de nós. Somente superando a ganância do ter, do poder e do prazer, podemos viver uma vida de paz e de alegria, que ninguém poderá nos roubar.

Cientes de tudo isto, saibamos que tudo na vida de Jesus é sinal do Seu mistério e do Seu grande amor por nós. Só quem imita Jesus poderá experimentar a verdadeira felicidade.

Não podemos fazer tudo, é preciso escolher

Os Apóstolos e discípulos não têm medo: anunciam o Evangelho, de modo que os seguidores de Jesus aumentam, nascendo também os primeiros problemas e murmurações: as viúvas dos gregos são menos cuidadas que as viúvas de origem judaica…

O que fazer? Quem vai cuidar delas? E como? São perguntas as quais é necessário dar uma resposta.

Os discípulos tomam uma decisão histórica, não é possível fazermos tudo.

Decidem, então, para resolver essa questão, reservar para o ministério do anúncio da Palavra e da oração aos homens maduros, de vida irrepreensível para cuidar dos problemas assistenciais e econômicos, nascendo, assim, os diáconos servidores, para que todos recebam o que é necessário para uma vida de comunhão e amor: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.

Esta escolha é fundamental também hoje. Hoje, existem várias diaconias econômicas, litúrgicas, musicais, de assistência. O padre ou o Bispo que quer fazer tudo, vê como se tudo possuísse, crendo que também tudo pudesse dominar. Quem é assim está destinado à falência. 

O Salmo 33 nos convida à confiança, pois Deus não nos abandona, o Seu olho vê tudo e nos dá o que comer no tempo de fome.

Jesus, a pedra angular

Para quem tem fé, Jesus é a pedra angular sobre a qual se constrói o verdadeiro edifício, que nada poderá abalar: nem terremoto teológico nem tsunami ideológico.

Cristo passa através de todas as dificuldades da história e segue sendo a Luz que ilumina a todos. Para quem não tem fé, Jesus é pedra de tropeço, em que todos batem com o pé e com a cabeça.  

Cada um de nós é pedra viva neste edifício da vida e da humanidade, que deve ser construído, com as pedras da paz, da compreensão, do amor, da misericórdia e do perdão.

Quem crê em Cristo Jesus se trona pedra viva, raça escolhida e sacerdócio santo para o novo povo conquistado por Cristo com o Seu sangue derramado na Cruz.

É hora de nos convertermos a Jesus para concretizar a esperança de uma nova Igreja que não tem medo de ser minoritária, mas que é de qualidade e de testemunho.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida

Nunca me canso de ler, meditar e saborear este início do capítulo 14 do Evangelho de João, em que se narra um diálogo de descrença por parte de Filipe, e uma resposta de amor por parte de Jesus.

Diante da descrença de Filipe, porta-voz de todos nós, Jesus se revela por Aquele que Ele é e apresenta a Sua missão em poucas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

O caminho: quem segue Jesus, a sua Palavra, o Seu caminho de Encarnação, de Paixão, de morte, não se perde, passa através da Cruz e viverá novamente na Ressurreição. É o único caminho que não engana.

A verdade: em uma sociedade de notícias que nos desorientam, temos a necessidade de saber onde está a verdade. Ela não está nas coisas, nem na filosofia, e nem na teologia, mas no ministério de Deus, que só Jesus pode nos revelar.

A vida: quem segue Jesus não se perde pelos caminhos, vem contra a verdade e vive uma vida de totalidade e de amor pelo serviço de Deus e dos outros…

Aconselho que se saiba este texto de cor a fim de se possuir a verdade e vida.

 
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