É tempo de viver pela fé.

“Eu, porém, me regozijarei no Senhor. Encontrarei minha alegria no Deus de minha salvação.” (Hab 3,18)

Habacuque é um profeta que atuou em Judá em tempos de crise social, moral e espiritual, apesar do excelente reinado de Josias. Babilônia, dos caldeus (1,6), aproximava-se para invadir a cidade, saquear o templo e tomar o povo como escravo. Perplexo e confuso diante dos fatos terríveis que aconteciam ao seu redor - a prosperidade do ímpio, o mau que oprimia o justo, o silêncio de Deus frente às tribulações, o crescimento da opressão e da violência e o aumento do descrédito da Lei e da justiça -, o profeta exclama a Deus: “Por quê?”. Habacuque se põe a fazer o que muitos de nós ansiamos - discutir com Deus a forma como Ele realiza as coisas, deixando registrado algo extraordinário: um diálogo com Deus em que o profeta censura o Senhor no Seu agir para com os homens. Queixa-se com Deus por destruir Sua nação - devido a crescente maldade entre os judeus -, servindo-se para isso, de um povo ainda pior que eles (1,13) - que bem adviria daí, questionava o profeta. Deus lhe deu como resposta o inaceitável: que Ele mesmo suscitaria um povo feroz e impetuoso contra Judá e que esse povo, terrível e temível (1, 6-7), se apoderaria de tudo. Embora aturdido em seu sentir, o profeta clama a Deus em confiança: “Não sois vós, desde o princípio, o meu Deus, o Santo, o Imortal?”(1,12) e, convicto de que Deus o ouviria, sobe o monte para esperar a resposta (2, 1) pois, mesmo em meio ao avanço do inimigo, Habacuque sabe que somente no Deus único ele pode esperar e voltar-se quando sobram problemas e faltam respostas.

Habacuque, então, nos ensina, que, mesmo nas perplexidades de nossa vida, as crises são oportunidades para corrermos para os braços misericordiosos de Deus, que é capaz de reverter tragédia em cântico, que pode até usar um algoz para nos ferir, mas que depois Ele mesmo se faz bálsamo para nos curar. Em resposta à oração do profeta, Deus assim diz: “Eis que sucumbe o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fé” (Hab 2,4). E a partir daí, o Senhor revela ao profeta Sua soberania e Seu poder, mas igualmente Sua misericórdia e Sua bondade para com aqueles que, em esperança, firmes permanecem. Se por um lado a crise é pedagógica e nos corrige severamente, é através dela que temos a oportunidade de fazer a escolha de optar por permanecer firmes na fé, ou de tudo desistir, como fazem os ímpios que em si confiam.

“O justo viverá pela fé” tornou-se um princípio de vida para todos os cristãos que, mesmo não compreendendo os caminhos de Deus em sua própria vida ou na vida de uma nação, reconhecem que, vivendo pela fé, atravessarão os vales e atingirão os montes guiados pela própria mão abençoadora de Deus. Ainda que não se vejam manifestações imediatas de Deus, e os “porquês” se multipliquem, a fé comunica que Ele trabalha por nós e que n’Ele podemos descansar. *O estudo desse tema continuará no próximo número. 

Jacira Mourão - Irmã em Aliança da comunidade Divino Oleiro  

 
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