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É tempo de amor
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"As penitências que a Igreja nos prescreve nesse tempo são justamente para que sejamos mais livres, menos apegados e mais generosos."
Professores e funcionários públicos, desempregados e cobradores de ônibus, jovens e crianças que na Quarta-feira de Cinzas foram a uma de nossas igrejas, ouviram uma advertência: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar!” Somos pó. Essa verdade nos obriga a deixar de lado a vaidade. Ajuda-nos a olhar o mundo, os homens e os acontecimentos com um olhar marcado pelo realismo. Se é verdade que somos pó, e que ao pó voltaremos, não menos verdade é que, em Jesus, também Deus se fez pó. Por isso, no tempo da Quaresma, a Igreja coloca diante de nós aquele que “esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo... Humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,7-8). Pela sua cruz e obediência, conquistou para nós a salvação. Falta, agora, a nossa parte - aquele passo que somos convidados a dar para segui-lo. Afinal, ele quer ser seguido apenas por pessoas livres. As penitências que a Igreja nos prescreve nesse tempo, tais como o jejum e a abstinência de carne em certos dias, e as que nosso amor nos inspirar, são justamente para que sejamos mais livres, menos apegados e mais generosos.
Para alguns, tornar-se livre poderá significar maior fidelidade aos seus deveres na família, no trabalho ou na sociedade. Para outros, maior preocupação pela justiça, na linha do que o Senhor falou através do profeta Isaías: “Por acaso não consiste nisto o jejum que escolhi: em romper os grilhões da iniquidade, em soltar as ataduras do jugo e pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar todo o jugo?” (Is 58,6). Para um terceiro grupo, poderá significar deixar de fumar, de beber e de divertir-se, tendo em vista os apelos transmitidos por outro profeta: “Agora, retornai a mim de todo o vosso coração, com jejum, com lágrimas e com lamentação. Rasgai, os vossos corações, e não as vossas roupas, retornais ao Senhor, vosso Deus, porque ele é bondoso e misericordioso, lento na ira e cheio de amor, e se compadece na desgraça” (Jr 2,12-13).
A liberdade que conquistarmos com tais práticas não será um fim em si mesma. Quanto mais formos livres, melhores condições teremos de caminhar ao encontro daquele que, há muito tempo, tomou sua cruz e veio em nossa direção. Por causa dele repartiremos nosso pão com o faminto, recolheremos os pobres e desabrigados, e vestiremos aqueles que estiverem nus (cf. Is 58,7). “Se fizeres isto, a tua luz romperá como a aurora, a cura das tuas feridas se operará rapidamente, a tua justiça irá à tua frente e a glória do Senhor irá à tua retaguarda. Então clamarás e o Senhor te responderá, clamarás por socorro e ele te dirá: Eis-me aqui!” (Is 58,8-9).
Decididamente, Quaresma não é tempo de tristeza. É, antes, tempo de amor.
Fonte:
Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ
Arquidiocese de Floriánopolis


Comunidade Católica Divino Oleiro
